"O mundo inteiro acordar e a gente dormir"

Sim, tinhas razão; Jose Gonzalez e suas dedilhadas poéticas são mesmo uma ótima pedida para dias chuvosos! A chuva cai lá fora, e os pingos batem forte na janela, daquele jeitinho que me costuma hipnotizar; a madrugada está fria, mas aqui dentro tudo parece bem aquecido. Eu, como sempre, decido prolongar a noite. Enrolo para ir dormir, pois gosto da madrugada, ela sempre aguça pensamentos bons e a inspiração sempre chega de forma tranquila. Enquanto todos dormem, eu desperto a mente e o meu mundo se torna incrivelmente literário: a vida lá fora que caminha em silêncio e lentidão vira cena de filme; a música na vitrola ao fundo, a trilha sonora; e eu, sentada ao canto, a autora de todo o enredo. Percebeu? Voltei a escrever como se falasse sozinha. No fundo acho que é isso que acontece, meu corpo fala quando tenho um lápis em mãos, consigo transparecer toda beleza que vejo na vida, no cotidiano, nas pessoas. Aliás, já te contei como gosto de observá-las, não é? E hoje não está sendo diferente. Adiei a hora de ir pra cama só para poder te ver dormir. Poderia escrever um livro falando de você agora, assim, deitado de forma espaçosa sobre a cama. Incrível essa sensação boa de querer parar o tempo para tentar captar um momento inteiro em simples palavras. Será que isso é possível? Na verdade, pouco importa. Preocupo-me apenas em observá-lo e viver os acordes no ar. Sinto como se fosse capaz de materializar o amor quando olho pra você; e falharia caso ousasse achar palavras para descrever tudo isso. Então, calemo-nos. Afinal, são os gestos, os gestos que confirmam tudo. A palavra é meramente criação humana para a sua autopromoção. SILÊNCIO! Basta olhar….

…Deixa a madrugada passar, a chuva cair,
José Gonzalez tocar; eu acordarei em seu
s braços.

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relacionar-se

“Por que você chora tanto e sofre sem ter motivo?
Vai, deixa todo esse rancor pra trás.
Que a vida vem sorrindo pra nós dois”

(Mariana Ayda)

Preciso alertar: gostar verdadeiramente de alguém irá lhe exigir muito! não basta gostar, é pouco. Esteja ciente disso antes de decidir embarcar e seguir viagem.
Quando uma pessoa se dispõe a estar junto de outra, assume vários compromissos que estão em letras miúdas. É preciso segurar a barra, ser compreensível e paciente. Ora firme, ora flexível; e ser amigo sem ser omisso.
Em ma relação nada pode em exagero; mas até acharem a dose certa terão que dividir muitos cafés amargos. Relacionar-se é assim mesmo. Altos e baixos. O que diferencia um relacionamento saudável de um relacionamento fracassado é a forma como vocês dois decidem conduzir as ocilações. O sucesso depende de quão aberto ao diálogo o casal se encontra e de qual energia escolhem dividir um com o outro. Nenhuma relação – seja ela familiar, amorosa, amigável ou profissional – sobrevive à falta de comunicação, compreensão, apoio e confiança.
À primeira vista parece complicado, eu sei, mas quando se vive um relacionamento saldável, você percebe que tudo é muito simples e espontâneo.
Mas diante de tudo isso, vale dizer somente mais uma coisa: quando existe amor e reciprocidade, se evolui diariamente. Nada é como era ontem. E é maravilhoso crescer junto. Pense nisso…

noites frias

“Visto a azul desbotada que roubei do teu armário e me deito pra tentar dormi, não consigo. Cabeça à mil, pensamentos soltos que me levam a um mesmo lugar: para perto de ti.

O quarto está escuro e frio; ao fundo toca um Bossa bem dedilhada de algum cantor que você me apresentou em um dos nossos vários momentos de assuntos jogados ao ar; em uma daquelas tardes em que a sala, a pipoca e a TV parecem ser, respectivamente, o lugar, a comida e o programa perfeito.Gosto de notar como nos entendemos bem e como há um respeito mútuo entre a gente; somos cúmplices em tudo que nos propomos e isso dá um significado tão especial às coisas… Gosto das nossas programações ‘sem sentido’, dos encontros românticos e das bricadeiras que só nós entendemos – aquele tipo de ‘hábito infantil’ e de ‘gestos melososque, aos olhos de terceiros, parecem ser bobagens, sabe?
Gosto também da forma como me sinto, sempre que seu sorriso me vem em mente, e é ainda melhor quando lembro de algo que nos fez gargalhar durante horas, bate um sentimento bom…
Meus dias ficaram mais coloridos com a sua chegada. Fosse o responsável por me fazer perceber que ainda não sabia o que era se sentir amada, respeitada, ouvida, desejada… consegui entender que amor é mais que uma palavra clichê e que amar é mais simples que eu achava que fosse.
Você me faz bem mesmo sem esforço algum. Basta existir, se fazer presente e pronto! Um carinho, um beijo, um olhar e todos os problemas parecem sumir.
Aprendo muito com você todos os dias e isso tem me feito amadurecer. Estou melhor agora não porque tenho você, mas por ter conhecido a pessoa que você enxergou em mim – mesmo quando nem eu acreditava que essa pudesse existir.
Estou em uma constante busca de melhoria desde então, e tem sido gratificante notar o quanto isso tem me feito bem. Quão positivamente isso vem refletindo em minha vida. Melhor ainda é saber que você também está nessa busca e que eu posso contar contigo – assim como eu estou disposta a te ajudar no que for preciso. Espero que eu consiga retribuir todos os sentimentos bons que você consegue despertar em mim…”
… Escreveu algumas linhas em seu caderno enquanto olhava a foto dele no porta retrato ao lado da cama; Depois fechou os olhos pra tentar dormir. Sentia falta dos braços dele lhe envolvendo e de sua mão lhe fazendo cafuné. As noites eram frias e chatas sem seu corpo ao lado; buscava na blusa azul desbotada que vestira antes de dormir uma saída para a falta que ele causava. Sentia o cheiro da camisa e abraçava o travesseiro, na esperança de que nos sonhos isso surtisse algum efeito positivo.

calorzinho bom.


Se o tempo não está bom lá fora, meu amor, se está tudo escuro, assustador e chuvoso… não se importe! Façamos o sol aqui dentro. Dê-me um abraço, deixe que eu te beije a boca, verás que bem depressa volta o calor e estaremos bem aquecidos de novo. Mas caso esteja
trash demais lá fora – tempestade, ventania, trovões e terremotos – mesmo que o mundo esteja se ruindo, não dê bola, estou aqui pra você. Só façamos assim: nos abracemos. Encostarei meu rosto em teu peito e fecharemos os olhos; esperaremos pacientemente toda turbulência passar. Juntinhos, coladinhos.. como gostamos de fazer.

Para embalar


… Pegou o violão enquanto ela dormia, começou um dedilhado simples, improvisou alguns acordes delicados, sentiu como em um filme de trilha sonora exata. Olhou sua mulher: nua, abraçada a um lençol azul, parecia um anjo. Seus cabelos negros esparramados pela cama, com o corpo um pouco à mostra, as costas fazendo covinha, coxas em destaque e sua cor lhe provocando. Ele a olhava e seu coração respondia, batia forte, dando a certeza de que ‘era ela!’. Achava mágico como o rosto dela lhe acalmava, como aqueles olhos davam a ela uma aparência sempre dócil – mesmo não sendo sempre tão dócil quanto aparentava. Queria que ela pudesse sentir aquela certeza que o invadia, nunca havia se sentido assim tão feliz como naquele momento, a vida agora parecia estar lhe abrindo as portas outra vez e ele – definitivamente – queria fazer o seu melhor, precisava aproveitá-las, queria aproveitá-las, iria aproveitá-las, pois sabia que era capaz. Gostava de pensar também o quanto ela era sua companheira em tudo: falava e fazia a coisa certa na hora certa! Sabia aconselhar, sabia ouvir, sabia fazer rir e chorar também, brigava se necessário, mas oferecia afago na maior parte do tempo; isso fazia com que ele se sentisse seguro suficiente para querer retribuir todo o bem que ela lhe fazia. Virou-se um pouco para olhá-la mais de perto e não resistiu, deixou o violão um pouco de lado e beijou-lhe as costas delicadamente como ela gostava. Percebeu que havia despertado, mas que ainda fingia estar dormindo; ela nunca conseguia segurar o riso e por isso usou sua arma secreta: beijou-lhe o pescoço. Dito e feito! Ela sorriu preguiçosamente. Soltou o lençol, virou o corpo para ele que estava deitado ao seu lado, deu-lhe um beijo no nariz e, com aquele rosto dócil e aqueles olhos cheios de sono, superando toda a preguiça e com a voz ainda rouca, quis falar:

Toca algo para eu voltar a dormir, amor? Ainda é tão cedo…

Deu um beijo em sua testa, pegou o violão e tornou a dedilhar
os acordes da canção que ela gostava de ouvir.

Detalhes



“Ele demonstrou tanto prazer em estar em minha companhia; Eu experimentei uma sensação que até então não conhecia. De se querer bem, de se querer quem se tem”

(Lulu Santos)

Estavam a sós…


Ele foi direto à cozinha assaltar a geladeira como de costume. Ela, ainda tímida, ficou na sala; sentou e ligou a televisão. Voltou já bem à vontade: camisa solta e um short confortável, sentou-se ao lado dela inclinando a cabeça pedindo cafuné. Foi o que ganhou.


Conversaram alguns minutos sobre a tarde que passaram juntos, relembraram detalhes e riram bastante. Aproveitou quando ele levantou a cabeça e deitou-se no tapete, disse ter ficado muito cansada após toda a caminhada, ele já sabia que era balela, sabia que era dengo, sabia o que ela queria e foi o que ele deu! Deitou ao seu lado e ofereceu o peito para ela encostar a cabeça – não ousou negar – e como sempre, entrelaçou seus dedos nos fios pretos de sua mulher. Ela adorava seus carinhos, fechou os olhos e curtiu.

Lembrou de algo e falou, voltaram a conversar ainda deitados: ele olhando para o teto e ela olhando para o movimento de sua boca. Ela adorava a boca dele, repetia sempre ser a boca mais bonita que já vira ‘sempre tão vermelha e molhada’, adorava também a forma como sua língua prendia sempre que pronunciava o S estando distraído; costumava imitá-lo quando isso acontecia, só para vê-lo envergonhado e claro, para ganhar o beijo que sempre seguia a provocação.

Calaram-se. Ela fechou os olhos mais uma vez, foi quando ele aproveitou para namorá-la em silêncio. Fitou-a da cabeça aos pés, ele a achava linda: seus cabelos sempre caíam sobre os olhos dando um ar de mistério, sua boca era provocante, sua pele era quente e o seu corpo era irresistível. Beijou-lhe a testa, ela abriu os olhos e retribuiu com um beijo na boca.

Teve a face acariciada, fez charme e o roçou em sua barba. Abraçaram-se. Beijaram-se. Entraram, então, em um ritual de perfeita sintonia. Os corpos se desejavam e simultaneamente se encontravam. Levantaram-se lentamente e, entre beijos e abraços, foram para o quarto. Aos poucos os corpos foram ficando à mostra e isso fazia com que o desejo e o imã entre eles aumentassem consideravelmente. Deitaram.

Começaram em ritmo lento, sem pressa, queriam se conhecer. À medida que o desejo crescia, o ritmo seguia outro embalo. Ora calmo, ora voraz – continuaram assim até o corpos se cansarem.
Deitados, paralisados e ofegantes, olharam-se. Ganhou um beijo na testa, retribuiu com um beijo no queixo. Renderam-se ao cansaço e ficaram deitados trocando carinhos. Minutos depois ele se levanta, pega o violão e entra no quarto. Senta nos pés da cama, olha pra ela e começa- um dedilhado simples, uma voz suave, canta a mais bela música. Ela não acredita, era sua música. Fecha os olhos e se emociona. Ele percebe, mas continua tocando. Ao acabar, eles se beijam!

Voltam a namorar…

Amar, amor…

Hoje o dia amanhaceu frio, cinzento, bem daquele jeito que me mete medo, me deixa quieta, calada. Mas o dia hoje está mais difícil que todos os outros que já vivi assim; mais difícil porque foi o primeiro deles que passei sem você. Lembrei com tanta saudade das vezes em que você se levantava mais cedo e me preparava o café: as torradas, o leite quentinho, um bilhete e alguns beijos… isso nunca me faltou. Fiquei me perguntando onde será que estás agora, com quem estás agora, será que também está pensando em mim agora? Acho que sim! Sempre que o dia amanhecia assim, tirávamos férias do mundo, éramos só você e eu, dentro de um casa quentinha. Você sempre vinha manhoso deitar sua cabeça sobre minhas pernas, pedindo calado que meus dedos brincassem com seu cabelos, e eu fazia charme dizendo que só te faria carinho se tocasse pra mim. Ficávamos ali por horas, se nos deixassem. Nada de internet, de telefone, de celular, ou de campainha… nada disso nos importava. Várias melodias surgiram em dias assim, lembra? Aposto como hoje você sentirá falta do meu corpo, falta no calor que fazia quando nos aproximávamos um do outro. Dos beijos em teu pescoço, dos olhares que te provocavam, das nossas pernas entrelaçadas e da cama desarrumada. Sentirá falta também das histórias que lhe contava… sempre gostou quando eu falava de literatura para você. Eu sinto a tua falta, e sinto falta dos teus braços me apertando sempre que esses trovões insistiam em me assustar. Me vesti em tua blusa xadrez, na esperança que isso me trouxesse paz [ou você], mas tudo continua cinzento e frio aqui. Permaneço em nossa rede – na varanda que juntos olhávamos as constelações em noites limpas – e me pergunto quando, exatamente, nos perdemos. Como pode um amor tão sincero ter sido , simplesmente, abandonado. Nós éramos tão felizes juntos: conversávamos, dividíamos, compartilhávamos, ríamos, namorávamos, transávamos, embriagávamos, tragávamos, entorpecíamos, amávamos… então, me diz, onde erramos? Porque não estamos juntos agora? Eu sinto tanto medo sem você…

… Escreveu isso e pegou no sono.
deixando cair o último bilhete que ele lhe escrevera:
‘Se tiver que me esquecer, me esqueça. Mas bem devagarinho’
(Mário Quintana)