SOCIAL GOOD BRASIL LAB 2014

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O Social Good Brasil Lab é um laboratório que garante apoio especializado para tirar ideias do papel ou aperfeiçoar projetos de empreendedorismo social que usem a tecnologia como ferramenta de ação, integrando os participantes a uma rede internacional de referência em inovação social.

Dentre as quase 300 iniciativas de todo o Brasil inscritas no programa, 30 foram escolhidas para participarem dos encontros presenciais em São Paulo, onde participarão de oficinas, receberão o acompanhamento de tutores e, ainda, apresentarão suas ideias no palco do Demoday, em outubro, a possíveis investidores e aceleradoras. Em novembro, as melhores iniciativas escolhidas do palco do Demoday, se apresentarão no Seminário do SGB em Florianópolis onde, até três serão escolhidas para receber o capital semente para o desenvolvimento do projeto.

O IDEAL foi um dos selecionados para participar do SGB Lab 2014. Somos a única iniciativa de Alagoas e uma das poucas do nordeste (juntamente com três de Pernambuco). Nossa ideia é focada na coleta seletiva e em todos os elos que envolve o ciclo do “lixo”, bem como na integração das Cooperativas de Materiais Recicláveis aos diversos envolvidos no manejo de resíduos. E possui objetivos como: Aumentar a conscientização ambiental da população, melhorar a visibilidade e reconhecimento dos catadores e das Cooperativas, diminuir a o poder e influência dos atravessadores, dinamizar a economia dentro do contexto da reciclagem, entre outros.

Nesse último final de semana estivemos, Renan e eu, em São Paulo para participar do primeiro encontro do SGB LAB, que aconteceu no Centro de exposição Ruth Cardoso. Tivemos o apoio dos especialistas de Design Thinking, da IntoAction, Reinhold Steinbeck e Edgar Stuber. Essa metodologia, se baseia na cultura de colaboração, empatia, ideias e prototipagem e foi fundamental para voltarmos muito mais motivados e focados na melhoria e aplicação do projeto aqui no estado.

Agradecemos ao SEBRAE-AL que acreditou no IDEAL, e em nossa ideia, aceitando apoiar o projeto viabilizando nossa ida ao primeiro encontro. Agora, estamos nos preparando para as próximas etapas que consistem na realização e entrega do desafio lançado pelos “facilitadores” do SGB LAB no último final de semana e a ida ao segundo encontro no final de agosto.

Conheçam o projeto: http://www.redereciclagem.wix.com/reciclagem

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#queroganhar

Apesar de nascida em Maceió, fui criada no interior do interior de Tocantins, em uma escola-fazenda de nome Canuanã que era rodeado pelo verde da floresta, banhada pelas geladas águas do rio Araguaia, repleta de bichos “exóticos” e livre, além de fazer fronteira com terras indígenas. Fui criada solta. As portas estavam sempre abertas e nossa única preocupação era manter sempre fechada a tela que dificultava a entrada dos insetos e caranguejeiras. Lembro-me de como o tempo parecia passar rápido naquele lugar… saia cedo pra jogar bola  na rua com meus amigos e em um piscar de olhos já era noite,  mainha aparecia na porta me chamando pra jantar. “Ahhhh… só mais um pouquinho mãe”. E aquele pouquinho durava boa parte da noite, até já não aguentarmos mais de tanto correr ou até alguém (geralmente eu) se machucar – minha mãe deve ter tido uma visão comigo e, prevendo a filha que teria, teve a brilhante ideia de se especializar em Pediatria; eu fui sua maior paciente, sem dúvida! Todo dia era um lugar diferente pra remendar.

Quando paro pra relembrar a época que vivi em Tocantins, lembro da cor do céu no fim de tarde, do barulho da cigarra e dos pássaros, do cheiro de terra molhada, das fortes chuvas, dos trovões e das estrelas, lembro de todas as frutas que arranquei do pé, dos imensos balanços espalhados pelas árvores, dos acampamentos na beira do rio, das partidas de truco com os amigos e  também de como era bom sentar na calçada da minha casa e conversar com as pessoas que passavam. Em Canuanã todos se conheciam, passei um tempo achando que isso era chato demais, até que, na adolescência, resolvi voltar a morar em Maceió. E aos 15 anos de idade, me vi trancada em um apartamento de 3 andares onde todos se cumprimentavam, mas ninguém se conhecia. Além de uma porta trancada, tinha uma grade com cadeado pra me deixar segura. Mas não deixava. Eu me sentia totalmente desprotegida de todas aquelas pessoas distantes. Na cidade as coisas eram diferentes demais da realidade simples que eu estava acostumada.

Hoje, 9 anos depois de ter voltado pra Maceió, eu não me sinto mais tão perdida quanto antes, mas ainda me sinto extremamente angustiada quando percebo que as crianças de hoje em dia estão sendo entorpecidas por aparelhos eletrônicos e “domesticadas” a brincarem no cubículo do playground de seus condomínios de luxo, enquanto as praças e outros espaços públicos estão abandonados pelo Poder Público e não oferecem se quer uma estrutura digna para que sejam ocupados. As cidades não foram feitas para as pessoas, bom exemplo são as nossas calçadas que não proporcionam um bom passeio, são completamente impróprias para o pedestre e fora dos padrões exigidos. Isso, atrelado à insegurança e outros fatores sociais, contribui para termos uma cidade vazia, sem vida, sem pessoas, diálogo e afeto. Uma verdadeira bola de neve que só tende a crescer.

Por esse e outros motivos é que gosto de me envolver com ações que valorizam os espaços públicos, que fazem a população refletir sobre a qualidade de vida atual. E sempre que conheço alguém que também pensa assim ou que me deparo com algum projeto que busca mudar um pouquinho a realidade cinzenta das nossas cidades, meu coração se enche se esperança. Pequenos gestos e intervenções são capazes de modificar paradigmas – e se não, pelo menos arrancam sorrisos de todos que se envolvem. E isso já não é incrível? Eu acredito na força das pessoas e que juntos podemos construir a cidade (e o mundo) que queremos pra nós, pros nossos filhos e pros nossos netos.

Se mais alguém acreditar, já viramos plural.


 

promoção

 

Inspirada pelo mês dos namorados e por toda delicadeza dos guardanapos poéticos de Daniel Viana (que já havia comentado aqui nesse post ), resolvi sortear um exemplar do seu livro #100contospor10contostrocados lá na página do Rabiiisco, no Facebook. Visite e veja como participar, o sorteio acontecerá no dia 30/06. Aproveite e comente aqui o que você gostaria que mudasse em sua cidade ou me fale sobre algum projeto de intervenção urbana que tenha conhecimento ou que participe.

😀