Ta tendo copa!

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Sempre gostei de Copa. Lembro que quando criança, antes mesmo de acabar eu já esperava ansiosa os quatros anos seguintes, onde toda aquela magia iria se repetir: o menino bonito da casa verde passando de porta em porta pedindo dinheiro para a decoração da rua, os carros balançando bandeiras, os garotos jogando bola no gramado fingindo o torneio e brigando pela camisa 10. O bairro inteiro se reunia na copa. Até as vizinhas que há tempo não se bicavam, de repente, estavam juntas na cozinha preparando um bolo pra garotada. Enquanto isso, do lado de fora, Maria cortava o fitilho, Tereza amarrava no barbante e o tio Zé subia na escada para pendurar e enfeitar a rua de verde a amarelo.  Na copa, tudo era permitido! Minha mãe me liberava os doces, os refrigerantes e a pipoca; e podia até faltar o colégio por causa dos jogos que ninguém reclamava. Como não gostar da copa? Afinal, foi entre um cruzamento do Kaká e um gol de Cafú que Pedro, o garoto bonito da casa verde, me roubou um beijo.

Alguns anos se passaram desde aquele beijo inocente que Pedro me deu na copa de 2002 e de lá pra cá, muita coisa mudou. Quando finalmente a copa iria acontecer no Brasil, corri o risco de não gostar mais dela. Em um piscar de olhos, do dia pra noite, a ficha caiu. Entendi que ela vai além do meu pequeno bairro, que não traz apenas sorrisos e que, por isso, talvez não a quisesse mais aqui. Pessoas iriam sofrer e nosso dinheiro seria roubado. A copa iria passar, mas a miséria não. Absurdo! Vamos protestar! Tarde demais.

Fiquei triste, revoltada com todas as notícias que li e, por isso, tentei resistir. Mas bastou que os 11 guerreiros entrassem em campo e o hino nacional fosse cantado (à capela) por um estádio lotado, para eu perceber que gosto da Copa sim. Da Copa do povo, dos sorrisos nas ruas e de como todos se tornam um; ver as ruas, os carros e os prédios enfeitados com bandeira; de reunir os amigos em torno de uma TV; de sofrer e rezar pra todos os santos na esperança de um gol e de abraçar desconhecidos quando meu pedido é aceito; gosto de assistir a todos os jogos, de comprar camisa e apostar no bolão do escritório. Gosto de apito, de chapéu e de amendoim. Dos 90 minutos. Da Prorrogação e dos Pênaltis. Uma guerra entre 32 nações, onde o fair play é a regra e o talento a principal arma. O esporte é mágico e o futebol continua sendo paixão nacional. Torço e continuarei torcendo, por minha seleção e pelo meu país. Que um dia nos livremos da corrupção e que possamos sorrir e comemorar sem nos sentirmos culpados por isso.

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