Descoberta

Saiu da sala de seu médico, levando consigo um envelope e, nele, notícias graves, sérias, que mudariam sua vida daquele momento em diante. Em um só instante o mundo daquela menina que sempre teve seus mimos atendidos pelos pais, que sempre tirou as melhores notas, que era cheia de amigos, viajada, inteligente, elegante e a mais linda do colégio, descobriu que estava doente. Gravemente doente. Tinha câncer!
Estava trêmula, sem conseguir pronunciar uma só palavra, entrou em seu carro e percebeu não estar em condições para conduzi-lo. Deixou-o estacionado e pegou um táxi. Parou na orla, seu refúgio, e foi caminhar.
Sentou na areia, não sabia o que fazer, tinha medo de pensar no futuro, de não ter tempo para realizar seus sonhos, de viver uma grande história de amor, de ser mãe…. Teve medo das piadinhas que iria ouvir dos ‘amigos’ quando seu cabelo começasse a cair, quando sua pele estivesse ressecada. E chorou, soluçou e chorou mais um bocado.
Olhou em volta e percebeu que algumas pessoas a observava com curiosidade e outras, até com pena de ver uma menina tão linda chorando daquela forma. Ouviu comentários: ‘deve ter terminado com o namorado’, ‘deve ter descoberto que está grávida’… mas nenhuma das pessoas que estavam la, ousou aproximar-se e oferecer ajuda. Foi naquele momento, observando aquelas pessoas, que tomou uma decisão importante: NINGUÉM SABERÁ!
Não contaria a absolutamente ninguém que estava doente. Escolheu viver! Viver como antes, mas agora do jeito que sempre quis. Totalmente livre e com coragem de fazer o que bem entender sem dar maiores explicações.
Começou mudando o armário: comprou maquiagens novas e passou a se produzir mais. Depois, decidiu que queria amar! Não correria mais atrás de quem não a valorizava; seu objetivo no momento era encontrar alguém disposto a viver uma história de amor. Voltou a ir pras festas e a se sentir querida pelos homens.
Existia dias em que a doença falava mais alto, seu cabelo caia de monte, ja não tinha aquele corpo sarado de meses atrás por causa dos tantos remédios que tomava, vomitava constantemente e se sentia fraca também. Fingia sempre: dizia que era sono, que comera algo estragado e que o estresse afetava seu coro cabeludo.
Ninguém pode imaginar que aquela menina cheia de vida, sorridente, bricalhona a cada segundo… no fundo, está morrendo de medo, de morrer sozinha!

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8 comentários sobre “Descoberta

  1. O que não sabemos na realidade é que todos os dias pessoas se deparam com essa triste realidade.
    E ai passam a viver a vida como deveria ter feito antes de ficar doente.Mas é a vida e seus desafios, ou enfrentamos ou nos entregamos.
    beijo grande!

  2. A maior parte das pessoas tem esse terrível pesadelo… o medo de morrerem sozinhas…
    Mas vai depender somente de si próprio, de mais ninguém… há quem não queira estar só…mas ao mesmo tempo quer estar só… não sei se compreende… e acabam por afastarem as pessoas que gostariam de estar ao seu lado…
    O importante é descobrir que só depende de nós próprios terminarmos sozinhos os nossos últimos dias ou não…estando doentes, ou não…
    A nossa mente controla tudo…

    😉

    Concorda?

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  4. Olá, Fernanda
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    2. pessoas que ainda não publicaram livro, mas pretendem, e matêm seus blogs literários como meio de levar seus textos aos leitores.
    Achei teu blog muito interessante, suponho que um desses dois casos seja o seu. Eu gostaria de saber se você teria interesse em fazer parte dos sujeitos da minha pesquisa. O procedimento é bem simples, pela internet mesmo, e lhe direi se você concordar.
    Meu email é sidneyandrade23@hotmail.com, ou se achar melhor, pode me responder num comentário no meu blog mesmo ( http://www.sidneyandrade.blogspot.com ).
    De qualquer forma, muito obrigado pela atenção.
    Grande abraço.

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