sobre o meu mais louco amor

Querido papel,

Eu sei, nossa relação é antiga. Cheia de altos e baixos, idas e vindas. Em alguns momentos, te escrevi palavras doces, de amor, revelei segredos meus e você os guardou tão bem. Noutros, te enchi de insultos, rancores, frustrações, medos, angústias e até jurei que nunca mais queria te ver de novo. Quantas vezes te molhei com lágrimas, te abracei com saudades ou te amassei com raiva. Lembra de tudo isso? Pois é. Mal sabia eu, que aquela amizade se transformaria em parceria e logo mais, em amor. Sim, eu te amo. Amo exageradamente a forma como você está presente em minha vida. Mas, meu querido, chegou a hora! Sempre chega. Preciso dizer adeus. Adeus, por que pela primeira vez, não tenho o que te dizer. Já fiz de tudo e, por mais que eu me tranque no quarto, que fique sozinha contigo e tente pensar em algo a te dizer, não consigo escrever uma linha se quer. Estou vazia! Perdi o jeito, entende? Peço que você me abandone antes de ficar em branco também, pois essa dor eu não suportaria. Você encontrará outro alguém – sempre encontramos outro alguém, não se preocupe – e não sentirá minha falta. Será completo outra vez. Mas hoje, meu amor, precisei partir sem você.
Estou desesperada. Sem saber pra onde ir e o que será de mim – uma pessoa que não sabe falar de si e que já não consegue escrever também – sem você para me ouvir, me acalmar. Sinto que não sou nada sem você e essa dependência me assusta.
Queria eu, estar subordinada a ti nesse momento e, só por hoje, eu fosse a tua ouvinte. Só assim, iria me distrair e, quem sabe, até esquecer essa ideia louca de me afastar de ti. Entenda que eu queria ficar, mas sinto que chegou a hora. Preciso sair de sua sombra, procurar palavras e expressá-las através da fala. Cansei de escrever cartas e de nunca obter respostas. Estou partindo para buscar as respostas que você nunca me deu. Espero que entenda: Mas hoje, só hoje, eu preciso te dizer adeus.
Escrevi, para que saibas que estou bem, mesmo com medo. Fiz minhas malas enquanto dormias e parti. Não te preocupa, seu beijo eu não esqueci. Guarde-o e me espere se assim preferir. Estou indo, mas eu volto! Assim que tiver o que te dizer…

Até qualquer dia.

Sempre sua.

Fernanda Brandão

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19 comentários sobre “sobre o meu mais louco amor

  1. Arrebentou!!!!!
    Fiquei emocionada… tens um jeito de expressar que surpreende Fê.
    Este texto me emocionou… por que conseguiu traduzir uma situação que há muitos anos atrás já vivi.
    E foi um erro eu ter partido!
    Espero que esta história não acabe aqui.
    Bem, você tem duas histórias para continuar nos contando.. e aguardo anciosa por lê-la!
    Um Beijo
    Joie

  2. Que coisa bonita eu encontrei aqui!
    Essa sua relação com a palavra é como a minha..
    Nem recordo o tanto de vezes que precisei terminar com ela, dizer que já não dava mais.
    Mas, sempre pedimos pra voltar..

    Beijos, flor.
    Teu blog é encantador.

  3. ow papel sem graça… dá uma resposta a essa garota linda, menino ruim, rsrsrs.
    eta mulé criativa viu, quando eu crescer, quero ter uam dessa pra mim!
    ficou show o texto, há tanta subjetividade ai, tanto a dizer nas entrelinhas…
    amo amo amo tudo isso
    e muito mais
    cuide-se
    beijos
    te adoro
    NEOQEAV

  4. E que você volte logo para o papel, o virtual, porque você já está inscrita pra participar da blogagem, viu, mas não esqueça de trazer o selo pra cá!!

    O bom é que o papel nunca guarda mágoa e sempre espera, louco pra ser preenchido de novo!

    Aah, se o texto não emocionar, não arrancar na de bom num segundo, não fizer refletir, do que adianta escrever, né!?!

    ate mais.

    Jota Cê

  5. Que falta de inspiração mais inspiradora, Fernanda.
    Texto mais que lindo.

    O papel é um bom amigo, bom demais.
    Pena que não me responde às perguntas.
    Só me conforta, me deixa desabafar sem ele nada falar.
    Por isso que é preciso fazer as malas e em ir busca das respostas, das vontades, das realizações.

    Tô te seguindo, viu?

    Tu és de Maceió?
    Que legal, eu também. =P

    Beijo.

  6. A relação com o papel em branco envolve muitos sentimentos mesmo. É um derramar de emoções necessário para muita gente por aí. Mas isso nunca é um dar sem receber. Externar o que sentimos, mesmo a um papel, já traz em si elementos que podem nos ajudar a solucionar o dilema que vivemos. O grande problema hoje reside na autorrepressão. Pessoas que preferem guardar as coisas para si, quando na verdade não há lógica nenhuma nisso, somos seres sociais, precisamos do outro – segredos, tabus e afins são objetos que carregamos no imaginário mas não contribuem com nosso autodesenvolvimento, nossa autopercepção… Ou seja, se as pessoas se relacionassem mais com seus papéis em branco, teriam um nível muito maior de autoconhecimento, e mesmo que pareçam mais enigmáticas para si mesmos, isso apenas denota que estão, de fato, se conhecendo; embora a maioria das pessoas não tenha nada de enigmática…….

    Portanto, não brigue com o papel nem se isole dele, não o culpe e não pense que ele nunca te deu nada; talvez ele é que tenha te trazido até onde estás hoje…… No meu caso, isso é uma verdade inconteste.

    Tecnicamente, avançou bastante. Agora não dá para dizer que não está evoluindo.

    Um beijo, até a vista..

  7. Já me apaixonei por mulheres – as mais diversas -, por bebidas – as que me fizeram transcender -, por cigarros – o único que sacia meu vício -, por filmes – os mais brilhantes -, por livros – os mais encantadores -, mas nunca tinha pensado na paixão pelo papel.

    Parabéns Fernanda!!

    ;**

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